Nas últimas semanas a tensão geopolítica envolvendo os Estados Unidos e Coreia do Norte impactaram os ativos globais, justificando uma correção nos preços dos ativos que vinham em forte alta.
Os riscos de um conflito militar causado pelo programa nuclear e hostilidade da Coreia do Norte aumentaram após o presidente americano, Donald Trump, alertar que a Pyongyang “vai receber fogo e fúria como o mundo nunca viu” se voltar a ameaçar os Estados Unidos.
Essa declaração de Trump provocou uma resposta agressiva da Coreia do Norte. Horas depois da fala, o governo do ditador Kim Jong-un anunciou que começaram a trabalhar em um plano para atacar a ilha americana de Guam com 4 mísseis balísticos, e o apresentariam ao líder até a metade desse mês.
O mercado financeiro sentiu de imediato; os participantes buscaram fazer a proteção de seu portfólio em ativos seguros como Ouro e Prata; que tiveram uma forte valorização, 1% e 2% respectivamente.
Um dos termômetros mais importantes do mercado financeiro, o Chicago Board Options Exchange Volatlity Index, ou simplesmente VIX, chegou a subir mais de 35% em um único dia.
Um dos maiores dealers do mercado de Forex, o banco Citigroup, através do analista Jeremy Hale, de Londres, pontuou na tarde desta sexta-feira (11 de agosto) ao site de notícias Bloomberg:
“A visão do mercado é muito sangrenta no curto prazo; a preocupação dos investidores pode aumentar nas próximas semanas com a chegada do exercício militar da Coreia do Sul e os EUA, que começa no dia 21 de agosto.”
A tensão está no ar e deve continuar. Os investidores precisam estar atentos ao desenvolvimento dessa crise que pode desencadear uma volatilidade acima da média em todos os ativos financeiros como commodities, ações, taxa de juros, moedas e índices.
Neste artigo, vamos analisar sobre o que o índice VIX realmente representa ao mercado.

O que é o Índice de Volatilidade VIX?

Também conhecido como o “índice do medo“, o VIX mede a volatilidade das opções sobre ações do S&P 500 negociadas na bolsa de opções de Chicago – a CBOE (Chicago Board of Options Exchange) -, e indica momentos de grande nervosismo do mercado.
De forma resumida, o índice é uma medida matemática sobre o quanto o mercado espera que o “S&P 500 Index option“, ou SPX, irá oscilar (volatilidade esperada) nos próximos 30 dias, baseado na análise da diferença entre os preços atuais das opções de put e call do SPX.
Apesar do VIX não estar expresso em percentual, ele pode ser interpretado de tal forma. O VIX à 22 pontos significa que a volatilidade implícita é de 22% no SPX. Isso quer dizer que o índice tem uma probabilidade de 66,7% (um desvio padrão, em termos estatísticos) de negociar em um range de 22% maior – ou menor – que o nível atual nos próximos 30 dias.
O VIX sobe quando aumenta a demanda pelas opções de venda (put); e cai quando a procura pelas opções de compra (call) é maior. (Importante: uma opção do tipo put dá ao comprador o direito – mas não a obrigação – de vender um ativo por um preço específico em um tempo determinado. Uma opção do tipo call confere o direito – mas não a obrigação – ao comprador de comprar o ativo ao preço de exercício, durante um determinado período de tempo).
Os contratos de opções são voláteis por natureza, mas ganham mais atenção quando aumenta a incerteza dos participantes no mercado. Com a tensão aumentando entre EUA e Coréia do Norte, é natural que a volatilidade nos mercados aumente e pressione o VIX para novas altas.

VIX na eleição norte-americana (Trump vs Clinton)

Eleições causam alta volatilidade nos mercados, principalmente nos Estados Unidos.
Como podemos ver no gráfico abaixo, dias antes da eleição presidencial nos Estados Unidos no ano passado, em que Donald Trump disputava o cargo com Hillary Clinton, o VIX chegou a bater 23 pontos, que representou uma alta de quase 70% em apenas uma semana. Logo a apuração dos votos que oficializou a vitória de Donald Trump, o mercado fez uma forte correção, e o VIX caiu.

Gráfico do VIX durante as eleições nos EUA em 2016.

Gráfico do VIX durante as eleições nos EUA em 2016.

VIX e a atual tensão entre Estados Unidos e Coreia do Norte

A tensão causada pelo risco de conflito militar entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte elevou a temperatura nos mercados globais.
No gráfico abaixo, vemos que no dia 10 de agosto, em que a Coreia do Norte confirmou plano para disparar 4 mísseis contra a ilha americana de Guam, no Pacífico, alegando que apenas o uso de força faz sentido para o presidente americano, Donald Trump.
O “índice do medo” fez spike (variação abrupta) e chegou aos 16 pontos; uma variação de mais de 40% em um único dia.

Gráfico do VIX durante a tensão na península coreana. Agosto de 2017.

Gráfico do VIX durante a tensão na península coreana. Agosto de 2017.

Encontrando o VIX

É possível negociar o contrato futuro do VIX na CBOE e também em corretoras de varejo que ofereçam um Contrato Por Diferença (CFD) do índice.
A cotação do VIX pode ser encontrada em plataformas com market data (feed de dados) que ofereça os dados da CBOE, como CQG, ESginal, Barchart, IQFeed e outras.
É possível acompanhar a cotação gratuita através do site Investing (Trading View). Acesse clicando aqui.
Também no site MarketWatch. Acesse clicando aqui.

Conclusão

O índice VIX pode auxiliar os traders na contextualização do risco presente no mercado.
Quando a volatilidade (incerteza) no mercado parece ser eminente, os grandes participantes costumam mudar os índices de suas carteiras buscando ativos mais seguros como os metais preciosos e armam proteções em contratos derivativos, operações estruturadas com derivativos, utilizando estratégias no mercado de opções para proteger o portfólio e interesses de seus clientes.
Como o mercado é bastante diverso, alguns momentos de incerteza podem mudar todo o cenário corrente, trazendo maior volatilidade e alterando as tendências dos ativos. Por este motivo, é importante acompanhar as expectativas de volatilidade dos participantes analisando o índice VIX para não ser pego de surpresa em momentos de grandes incertezas, sejam elas políticas, geopolíticas, crises financeiras, de crédito ou risco de conflito.
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