Os investidores, os trabalhadores, as empresas e bancos de todos os perfis podem sofrer com as mudanças na taxa de juros, principalmente na dos Estados Unidos, que é a economia mais dinâmica e aquecida do mundo.

Em um seminário em Tóquio no último dia 29, o presidente da distrital do Federal Reserve em Saint Louis (Missouri), James Bullard, alertou sobre as possíveis barreiras ao aumentar a taxa básica de juros em um cenário de incerteza presente nas economias parceiras como a do Japão e Europa.

Taxa de Juros deve ficar “neutra” para as próximas reuniões?

Bullard, que apesar de não ser membro votante do Comitê de Política Monetária (FOMC), tem presença importante nas conversas sobre a resiliência da economia americana. Ele disse durante o evento que as taxas de juros americana deveriam atingir um nível de “neutro” que não estimula e nem desestimula a atividade econômica.

James Bullard. Membro do Fed.

James Bullard. Membro do Fed.

“É difícil para as taxas de juros [de curto e longo prazo] destoarem além dos limites aceitáveis dentro da atual situação global, e é claro que tanto o Banco do Japão [BOJ] quanto o Banco Central Europeu [ECB] devem continuar com suas políticas monetárias flexíveis. ”

“É uma decisão restritiva? É sim no sentido de que existe um equilíbrio global de taxas e se destoarmos muito além dos limites haverá consequências. As taxas de juros terão de serem reajustadas além de outros impactos acerca dessa decisão. ”

Bullard disse não querer prejulgar o próximo encontro do Fed em junho (13), mas reiterou sua opinião de que o Fed não precisa mais aumentar a taxa de juros, pois, as expectativas de inflação estão baixas.

O Fed manteve intacta a taxa de juros na última reunião, no dia 02 de maio, a meta ficou entre 1,5 e 1,75% (a.a).

A expectativa é de que o Banco Central Americano aumente a taxa de juros em junho, e continue com uma política de aumentos graduais até, possivelmente, a metade do ano que vem.

Bullard reforçou suas visões de que as expectativas de inflação continuam um pouco abaixo da meta do Fed, de 2% em 2018, e que as taxas de juros no mundo todo estão sendo mantidas ou reajustas para baixo devido às tendências econômicas e demográficas de longo prazo.

Há “alguns motivadores para cautela” com aumentos futuros, disse Bullard, que já chegou a argumentar que o Fed deve “congelar” o ciclo de aumento da taxa de juros até que o crescimento econômico esteja ao nível sustentável e que a inflação demonstre uma tendência de alta.

Se a atual política de taxa ficar neutral, “pode não ser necessárias alterações no ciclo” visando manter a econômica próximo ou dentro da meta do Fed, disse Bullard.

“Segurar futuros aumentos na taxa de juros ajudaria a melhorar os indicadores de expectativas de inflação no mercado e fazer com que o compromisso do Fed em cumprir a meta [de inflação] seja mais credível”, disse o membro do Fed.

“Também ajudaria a diminuir os riscos de que as taxas de juros de curto prazo subam mais do que as de longo, ou seja, uma ‘inversão’ na curva que normalmente precede uma recessão”, finalizou.

O que o mercado está precificando para a taxa de juros americana

Alterações na taxa de juros podem impactar diretamente na precificação dos ativos financeiros de todo o mundo, sejam de renda fixa quanto variável.

Os participantes do mercado financeiro acompanham de perto os indicadores que podem influenciar na política monetária de seus países, mas principalmente, do maior agente econômico do mundo, o Federal Reserve.

Apesar de Bullard, um importante membro do Fed, alertar para os impactos das altas na taxa de juros nas economias dos blocos parceiros e também em países emergentes, o mercado tem sua própria opinião estampada nas praças de negociações.

Os ativos negociados no Open Market (mercado de títulos da dívida pública, onde negociam o Banco Central e os Bancos Comerciais) e contratos derivativos de taxa de juros mostram uma visão mais alinhada ao atual ciclo da política monetária sustentada pelo Fed.

Na imagem mais abaixo, é possível observar as mudanças de percepção de risco na curva de juros americana negociada no Open Market no dia da última decisão do Fed, 02 de maio, comparando com atual.

É muito claro a aversão ao risco no vértice de 12 meses (1 ano) em diante, durante a última reunião, ou seja, a curva de longo prazo subiu em todos os vencimentos. Semanas após essa reunião e decisão da manutenção da taxa, a curva de juros está “normalizada”, trabalhando dentro da meta do Fed.

Curva de Juros dos Títulos do Tesouro Americano. Fonte: Tesouro Americano.

Curva de Juros dos Títulos do Tesouro Americano. Fonte: Tesouro Americano.

Para a próxima reunião, no dia 13 de junho, o indicador das expectativas da taxa de juros americana da Bolsa de Chicago mostra (ver imagem abaixo) que os participantes notoriamente estão precificando nos ativos futuros de juros uma probabilidade de 83% de o Fed aumentar a taxa.

Probabilidades para a próxima reunião do Fed.

Probabilidades para a próxima reunião do Fed.

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