Nesta segunda parte – a última da série de dois -, vamos analisar as influências do Governo, do Fed e empresas na economia americana, que podem fazer os mercados globais oscilarem dado a importância do país no cenário econômico mundial.

Leia Entendendo a Economia Americana – Parte 1

Influências do Governo

O governo americano quer sempre evitar recessão e inflação.

Uma alta taxa de desemprego e o aumento acelerado dos preços podem acabar com as carreiras dos políticos em uma democracia. Mas é um grande desafio em uma economia de mercado. O governo pode apenas influenciar, não controlar, os três poderes. Em uma economia planificada (em que a produção é controlada pelo Estado), o governo define os preços e a oferta. No entanto, o governo tem muitas ferramentas para influenciar a economia dos EUA.

Política Fiscal

Representantes eleitos possuem muitas ferramentas na política fiscal. Primeira, podem impactar no orçamento federal de mais de 4 trilhões de dólares. Esse montante representa 20% dos 19 trilhões de dólares da economia. Essa quantia de dinheiro pode criar crescimento em qualquer área que for investido, pois, tem forte influência no giro das empresas que criam empregos.
A maior parte desse volume vai para as três maiores despesas: benefícios da Previdência Social, gastos militares e saúde. Essa é uma das razões pelas quais a indústria da saúde é um dos maiores componentes da economia.

Toda a receita, em última instância, vem do imposto de renda sobre o salário dos trabalhadores.

O presidente inicia o processo orçamentário a cada ano, mas somente o Congresso tem autoridade para gastar. Por exemplo, o Pacote de estímulo econômico do presidente Obama – US$ 787 bilhões, de 2009 – foi ideia dele, mas não poderia ir a lugar algum sem a aprovação do Congresso.

Dívida Pública Americana

Dívida Pública Americana

Mas os gastos são limitados. Quando este supera a receita, cria um déficit orçamentário. O déficit de cada ano é adicionado à dívida pública. A dívida dos EUA é de mais de 20 trilhões de dólares. Isso é mais que a economia produz. O dado que descreve isso é a relação dívida/PIB.

Outra ferramenta governamental é a política comercial. Ela afeta os custos de importação e exportação regulando acordos comerciais com outros países. Esses acordos, como o NAFTA (Acordo de Livre Comércio da América do Norte), buscam reduzir os custos comerciais e aumentar o PIB americano. Entre 1993 e 2015, os Estados Unidos triplicaram as exportações para o México e Canadá graças ao NAFTA.

Histórico de Importação e Exportação dos EUA com o México

Histórico de Importação e Exportação dos EUA com o México

Os Estados Unidos buscam outros acordos comerciais bilaterais e regionais. O maior é a Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento com a União Europeia. Se vier ser aprovado algum dia (após a atual guerra comercial de Trump), será o maior acordo comercial do mundo.

Política Monetária

O Congresso americano também criou o Sistema de Reserva Federal, conhecido popularmente como The Fed. É o banco central do país. Ele utiliza a política monetária para controlar a inflação. Seu objetivo secundário é estimular a economia. É também responsável pelo bom funcionamento do sistema bancário. Por essa razão, muitos especialistas de mercado classificam o presidente do Federal Reserve (Fed) como a pessoa mais poderosa do mundo.

Existem dois tipos de política monetária. A política monetária expansionista acelera o crescimento e reduz o desemprego. Ele faz isso quando diminui as taxas de juros ou fornece crédito (liquidez) aos bancos para emprestar. Isso aumenta a oferta monetária dos EUA.

Política monetária contracionista combate a inflação e retarda o crescimento. Para fazer isso, o Fed eleva as taxas de juros ou retira o crédito dos balanços dos bancos. Isso diminui a oferta de dinheiro.

Reunião do FOMC

Reunião do FOMC

O Fed tem muitos instrumentos de política monetária. Sua ferramenta mais conhecida é a taxa de fundos federais (Fed Funds Rate). O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, sigla em inglês) faz ajustes nessa taxa para alterar as taxas de juros. Também ajusta o dinheiro que os bancos têm disponível para emprestar com operações de Mercado Aberto (Open Market). Ajusta a oferta monetária para administrar a inflação e a taxa de desemprego.

Essas ferramentas controlam como as taxas de juros afetam a economia.

O BC americano tem outras três funções. Ele supervisiona e regula muitos dos bancos do país, mantém a estabilidade do mercado financeiro e trabalha duro para evitar crises. O banco central americano fornece serviços bancários para outros bancos, o governo dos EUA e bancos estrangeiros.

Influências Empresariais

Há outro grande influenciador que não faz parte do governo. Esses são os mercados financeiros em Wall Street. Uma implosão nos mercados financeiros jogou a economia na pior recessão desde a Grande Depressão. Como isso aconteceu? Começou com derivativos que supostamente protegiam contra inadimplência em hipotecas subprime. A demanda pelos derivativos era tão forte que quase obrigou as seguradoras, como a American International Group, a entrar em default (calote). Isso jogou Wall Street em pânico que se espalhou pelo mundo.

Os blocos de construção são ações e investimentos em ações. Eles são mais arriscados do que títulos. Os mais seguros são os títulos do Tesouro. Os mais arriscados são os títulos de alto risco. É possível ter investimentos em diversificado nessas classes de ativos, o que é chamado de Fundos Mútuos.

Muitos investidores com alto capital permitem que os fundos de hedge (Hedge Funds) façam investimentos para eles. Outros buscam retornos mais elevados negociando commodities arriscadas e contratos futuros.

O mercado de commodities tem uma influência desmedida e desregulada na economia dos EUA. Isso é porque é onde alimentos, metais e petróleo são comercializados. Os traders de commodities podem alterar o preço dos produtos mais consumidos na economia.

Os mercados de câmbio têm um impacto crítico similar. Esses traders alteram o valor do dólar e das moedas estrangeiras. Isso afeta o preço das importações e exportações.

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