Nesta série especial de duas partes, abordaremos alguns aspectos mais relevantes do que muitos investidores e traders de varejo conhecem por Análise Fundamentalista, que será “aplicada” a uma das economias mais influentes nos mercados e ativos financeiros do mundo: os Estados Unidos da América.

Os EUA são uma união de 50 estados na América do Norte. A moeda oficial, obviamente, é o dólar americano. Os EUA são a terceira maior economia do mundo. Em 2015, a China se tornou a maior e a União Europeia a segunda. Apesar disso, a economia americana é muito poderosa.

Os Estados Unidos têm uma economia mista. Isso quer dizer que ela opera como uma economia de mercado aberto em bens de consumo (recursos utilizados pelos cidadãos ou famílias) e serviços empresariais, mas ela funciona como uma economia centralizada nos setores de defesa, aposentadoria, em muitos aspectos da saúde e muitas outras áreas.

A Constituição Federal dos EUA criou e protege este formato (misto) da economia.

Medindo a Economia Americana

Uma das melhores formas de se mensurar o tamanho da economia americana pode ser com os dados do Produto Interno Bruto ou PIB (em inglês, GDP).

PIB Real americano - 2012 - 2017

PIB Real americano – 2012 – 2017

Esse indicador traz a medida de tudo o que é produzidor nos EUA, seja em produção por trabalhadores americanos, por empresas ou estrangeiros. Não pode confundir o PIB com o Rendimento Nacional Bruto ou RNB (em inglês, GNI), que traz dados de tudo o que é produzido pelos cidadãos e empresas americanas, independentemente da localização no mundo.

Há três medidas importantes do PIB:

– PIB nominal: É uma métrica anualizada. Este indicador traz o quanto pode ser produzido por um ano se a economia mantiver a taxa de crescimento.
– PIB real: Traz a mesma métrica do PIB nominal, mas remove os efeitos da inflação. Os economistas usam essa medida para comparar o PIB ao longo do tempo.
– Taxa de crescimento do PIB: É a medida real do PIB para representar o crescimento comparado com o último trimestre ou ano anterior.

E há que quatro componentes do PIB:

– Despesas de consumo: Representa quase 70% do total do PIB, que traz consigo subcomponentes de bens e serviços.
Dentro de bens estão os bens duráveis, como casas, automóveis e bens não duráveis como, alimentos, combustíveis, etc. Dentro de serviços: finanças, saúde e outros. Os serviços representam cerca de 50% da atividade econômica quanto os bens 20%.
– Gasto público: É o segundo maior componente, representando quase 15% do PIB. Inclui: gastos com defesa nacional, Previdência Social e saúde. Também inclui os orçamentos estaduais e municipais.

PIB real e valor agregado por setor (EUA)

PIB real e valor agregado por setor (EUA)

– Investimento das empresas: Representa quase 13% do PIB. Inclui manufatura, construções imobiliárias e propriedades intelectuais.
– Exportações líquidas: São as exportações, que se somam (agregam) à economia do país, e as importações, que subtraem (desagregam).

Os Estados Unidos têm um déficit comercial, que significa que há mais importação do que exportação. O maior “ativo” exportado é o petróleo, que também é o que é mais importado.

A Lei da Oferta e Demanda (Procura)

A oferta e a demanda determinam preços, salários e a quantidade de produtos disponíveis em uma economia.

A Lei da Oferta e Demanda diz que a oferta aumenta ou diminui ao longo do tempo para atender aos níveis de procura (demanda). No curto prazo, se a demanda aumenta e a oferta não a acompanha, então os preços podem subir. Um aumento na demanda de determinado produto ou serviço poderá trazer uma valorização nos salários dos trabalhadores.

Curva de Oferta e Demanda

Curva de Oferta e Demanda

A oferta é composta pelos quatro fatores de produção: trabalho, empreendedorismo, bens de capital e recursos naturais.

Em economia, os fatores de produção são todos os recursos utilizados para obtenção de um produto, que pode ser uma mercadoria (bem tangível) ou um serviço (bem intangível).Escola de Administração de Empresas de São Paulo (Fundação Getúlio Vargas)

O trabalho é a mão de obra que transforma matérias-primas em produto final e serviços. É medido pela força de trabalho. Os recursos naturais incluem petróleo, terra e água.

Como exemplo de peso de um dos recursos naturais na economia americana, o preço do petróleo atualmente representa cerca de 70% do custo da gasolina.

A demanda é o desejo que um consumidor, seja ele qual for — pessoa física ou jurídica —, em consumir um produto ou serviço. A única restrição da demanda, basicamente, é dada pela disposição do consumidor em pagar o preço ofertado (“dar o fechado”, nos termos de mercado financeiro).

Ciclo Econômico

A economia Americana é dinâmica. Ela sobe e desce de acordo com o ciclo econômico, que tem quatro fases:

– Fase de Expansão: Nesta fase a economia cresce. Ela pode permanecer neste cenário por anos se houver um crescimento em taxa (do PIB) sustentável de 2 ou 3% (ao ano).
– Fase de Pico (Vale): É o ponto de máxima do ciclo de expansão. Pode-se considerar o fim do crescimento e o começo de uma recessão. Os investidores podem diminuir exposição em ativos de risco como o mercado de ações e podem migrar para ativos considerados mais seguros como Ouro, Títulos do Tesouro e até mesmo levar parte do portfólio para ativos e Títulos de empresas e de países emergentes como o Brasil e México.
– Fase de Recessão: Nesta fase a economia entra em contração, ou seja, é quando a taxa do PIB começa a ficar negativa, bolhas podem aparecer, desemprego aumenta e o sentimento geral do mercado fica pessimista (com menor exposição em ativos de risco).
Quando a contração da economia dura por muitos anos, o cenário é classificado como “depressão”.
– Fase de Baixa: É a mínima do ciclo, portanto, a economia começa a mostrar sinais de recuperação: taxa de desemprego começa a cair, PIB fica estável e há uma melhora no sentimento — expectativas — geral do mercado. Pode marcar o final de uma recessão e o início da fase de expansão.

Inflação e Deflação

Inflação é uma das forças mais ponderosas de uma economia, seja brasileira ou americana. De forma resumida, a inflação mostra a relação entre demanda, oferta e preço. Como exemplo: quando a demanda é maior que a oferta e os preços sobem, então a inflação aumenta. Um período de alta inflação (inflacionário) ocorre na Fase de Pico do Ciclo Econômico.
Todos os Bancos Centrais, inclusive o Federal Reserve (Fed, Banco Central Americano), buscam controlar os níveis de inflação, estipulando “metas” (vamos comentar mais sobre isso em artigos futuros).

Índice de Inflação americanano

Índice de Inflação americanano

Quando o índice de inflação demonstra uma tendência de alta, os consumidores e empresas podem criar uma expectativa de aumento nos preços de serviços e produtos.

Esse comportamento pode pressionar ainda mais esse dado porque esses agentes vão começar a comprar imediatamente antes das altas do preço no médio e longo prazo. Isso faz com que o nível de demanda suba mais. Outro fator que pode causar inflação é um aumento na oferta de dinheiro pelo Fed, em operações de Mercado Aberto (Open Market).

A deflação é o oposto. Ela acontece quando os preços começam a cair. Também se apresentam em ativos como preços das casas e mercado de ações. Pode sinalizar crashs (grandes quedas) e crises financeiras. Essa queda na precificação de diversos ativos ocorre durante a Fase de Recessão do Ciclo Econômico.

O que esperar na parte 2 (Final)

Com a base criada neste artigo e no primeiro da série de três sobre a economia americana, podemos avançar para a fase final, em que analisaremos com grande detalhe as influências do Governo e das Empresas, bem como pontuaremos os principais indicadores (PIB americano, Taxa de Desemprego, Índice de Inflação, Taxa de Juros e Liquidez) para acompanhar, de forma prática e objetiva, o sentimento geral da economia norte-americana.

Leia – Entendendo a Economia Americana (Parte 2)

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