Os investidores que mais influenciam nos preços dos ativos dos mercados financeiros são os institucionais, que vai de um banco de qualquer natureza até grandes grupos de empresas.

A maior parte do fluxo de capital é administrada por grandes firmas de investimentos, e elas prestam muita atenção aos bancos centrais. Por quê?

Porque simplesmente é lá que está o dinheiro. Os bancos centrais controlam as taxas de juros de curto prazo, que podem impactar em todos os mercados.

Por exemplo, é a taxa de juros determina a formação dos preços de carry trade (estratégia especulativa que buscam explorar os diferenciais das taxas de diferentes países para rentabilizar) e bonds (título de dívida). Dessa forma, esses grandes participantes do mercado monitoram os bancos centrais, tentando prever seu próximo movimento para especular ou se proteger.

Algumas questões que podem circular nos meetings matinais dessas grandes firmas são:

– O banco central está prestes a aumentar as taxas de juros ou reduzi-las?
– Se o banco central está prestes a cortar as taxas, quão grande será o corte da taxa: 25 pontos-base (bps), 50 bps ou mais?
– Será que o banco central sinalizará uma postura hawkish (o “problema” da economia pode girar em torno da meta de inflação) ou dovish (o “problema” pode não girar em torna da inflação) que poderá alterar as expectativas do mercado sobre impactos futuros nas taxas?
– Irá implementar políticas monetárias não convencionais, tais como facilidades de empréstimo ou flexibilização quantitativa (ou seja, comprando títulos de dívida de longo prazo) ou ampliando a força de tais programas (por exemplo, comprar mais títulos mensalmente)?

Para encontrar respostas a estas perguntas, esses grandes players procuram entender cada um dos objetivos e restrições de política monetária do banco central, e analisar os dados da economia da mesma forma que o BC. Os objetivos dos bancos centrais diferem entre os países. Nos EUA, por exemplo, o Federal Reserve (Fed) possui um “mandato duplo” de estabilidade de preços e “empregabilidade máxima”.

"Empregabilidade Máxima". Folheto do Federal Reserve de Atlanta.

“Empregabilidade Máxima”. Folheto do Federal Reserve de Atlanta.

Os investidores institucionais podem ser “obcecados” com as ações dos bancos centrais por dois motivos:

1. As ações dos bancos centrais movimentam os preços dos ativos, e isso pode trazer lucro se a posição da instituição estiver alinhada com as decisões do banco central.
2. Em segundo lugar, os BCs participam ativamente no mercado de capitais, no mercado de câmbio (Forex), nos mercados de bonds e, como não estão negociando por lucro, suas ações, às vezes, geram boas oportunidades de negociação.

Como é que esses investidores as expectativas sobre a política monetária?

A maneira mais simples é ficar comprado em títulos ou futuros de taxas de juros se eles julgarem que o banco central está cortando as taxas, e vendidos se acreditarem que o banco central está aumentando as taxas.

Eles também podem especular sobre a inclinação da curva de juros, uma vez que uma alta da taxa de juros eleva as taxas de curto prazo mais do que as taxas de longo prazo, reduzindo, assim, a curva de juros.

Esses investidores também podem especular sobre as futuras ações dos bancos centrais usando ativos de juros negociados no grande mercado a termo.

Taxas de Juros do Mercado Americano. Fonte: Tesouro Americano.

Taxas de Juros do Mercado Americano. Fonte: Tesouro Americano.

Monitorar e entender as ações dos bancos centrais também pode ser útil operar moedas. Quando a taxa de juros sobe, as oportunidades de carry trade melhoram e podem atrair capital, assim levando à valorização da moeda.

Os mercados de câmbio podem ser afetados mais diretamente pelos bancos centrais quando estes intervêm ativamente, comprando ou vendendo moeda através de instrumentos de mercado.

Prever tais intervenções e seu timing é difícil, mas alguns padrões gerais podem surgir. Por exemplo, se os bancos centrais geralmente tentam “amortecer” as oscilações cambiais, então as taxas de câmbio tendem a avançar lentamente em direção aos seus novos fundamentos, criando tendências, que são alimentadas por grandes investidores institucionais.

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