Os recentes dados positivos do mercado de trabalho americano (vagas em ascensão, salário subindo pela primeira vez desde 2009) fizeram os investidores buscar ativos de baixo risco como os títulos do Tesouro Americano, que tiveram seus retornos (yields) subindo devido a possibilidade de o Banco Central Americano, FED, considerar 4 aumentos da taxa básica de juros neste ano de 2018.

Os títulos do Tesouro Americano são papéis emitidos pelo governo federal para financiar projetos e atividades, que remuneram seus investidores com juros (yields) e devolvem a quantia emprestada com o vencimento do título; o prazo pode ir de um ano até mais de uma década.

Apesar de não ser um dado concreto de que o FED possa considerar este cenário, o mercado já colocou no preço dos ativos essa possibilidade. Logo que os dados de emprego foram publicados, o dólar ganhou terreno internacional, as yields dos títulos do Tesouro Americano dispararam e o mercado de ações contraiu fortemente, levando o Índice de Volatilidade do S&P 500, o VIX, à 50 pontos, máxima dos últimos 2 anos.

Gráfico do VIX. Fonte: tradingview.com

Gráfico do VIX. Spike após os últimos dados do mercado de trabalho americano. Fonte: tradingview.com

Devido à divergência de opiniões dos participantes quanto aos próximos passos do FED, a volatilidade nos mercados aumentou. Os spreads (a diferença entre a melhor oferta de compra e venda) no VIX chegaram a subir 60% e o índice Dow Jones teve uma queda recorde em pontos. Ao mesmo tempo houve uma forte pressão nas moedas e ações das empresas de países emergentes, como Brasil e México. Esse movimento de “vazão” de fluxo de capital dos emergentes era esperado devido a possibilidade de taxa de juros mais altas nos EUA.

Reflexo dos dados do mercado de trabalho americano nos ativos.

Reflexo dos dados do mercado de trabalho americano nos ativos.

A volatilidade pode trazer muitas oportunidades, mas elas vêm com risco aumentado. É um momento muito importante para se atentar as nuances de quando se opera em mercados voláteis.

Reunimos 5 pontos essências para se observar ao montar uma exposição em momentos voláteis.

1. Cuidado com a baixa liquidez

Normalmente quando os mercados estão em “modo padrão”, ou seja, sem aversão ao risco, as entradas e saídas das posições independentemente do tamanho, são feitas sem muita variação no preço devido à alta liquidez. Mas, com uma volatilidade maior, os spreads nos ativos também aumentam. E isso, consequentemente, aumenta o custo das operações e o risco de incertezas quanto à execução das ordens.

2. Cuidado com “slippage” (derrapagem)

Mercados voláteis indicam baixa liquidez e altos picos de volume em determinados momentos. Isso acontece porque sempre deve haver contraparte nas negociações, ou seja, um comprador e um vendedor para uma operação ser realizada. O pico de volume, também conhecido como spike, pode trazer uma proporção desbalanceada entre compradores e vendedores, fazendo com que a falta de liquidez atrase ou execute a ordem em preço indesejado no momento da negociação; isso se chama “derrapagem”.

3. Cuidado com as Ordens Pendentes (limitadas)

As ordens limitadas são muito úteis para qualquer operador do mercado financeiro. Elas podem ajudar na abertura e fechamento de posição em preços determinados, não pagar o spread e, dependendo do mercado, é possível ganhar “rebate” (desconto) no custo das operações. Porém, ao utilizar uma ordem pendente, é preciso estar ciente de que ela não garante a execução.

No mercado de Forex (spot), a maioria das corretoras garantem a execução, mas não garantem o preço de execução. Elas trabalham com a noção de “execução no melhor preço disponível”, e trazendo isso à realidade do mercado, significa que se a volatilidade aumenta no momento em que o investidor está posicionado com ordens pendentes, a corretora vai executar a ordem, mas devido à ausência de liquidez ou alta oscilação de preço, a ordem pode ser executada em um preço muito pior ou muito bom (dependendo da posição do investidor).

No mercado futuro, as ordens limitadas dependem de contraparte. Se ela não existir, a ordem pode ser ignorada e não ser executada pelo sistema de matching engine (casamento das ordens) da bolsa.

4. Defina bem sua estratégia para entrar e sair de uma operação

Definir uma estratégia para montar uma posição e sair dela é essencial em mercados voláteis. O cenário com aversão ao risco pode trazer grandes oscilações repentinas no mercado.

Ao traçar uma estratégia para o momento da entrada e também planejar muito bem a saída, pode ser essencial para a mitigação do risco e alavancagem dos lucros. Por isso é muito importante entender o funcionamento do processo de execução de ordem no mercado escolhido. Também conhecer os termos de execução e alavancagem das corretoras.

5. Cuidado com day trade; ele pode ser  tanto um “herói” como também um “vilão” para a conta de investimento

Com um mercado assimétrico, os participantes tendem a ter uma divergência de opinião muito grande; eles diminuem a exposição especulativa e montam posição em contratos derivativos visando mitigar o risco fazendo hedge de seu portfólio. Isso diminui muito a liquidez em todos os ativos, e aumenta a alta oscilação de preço no curtíssimo prazo, pois muitos participantes têm a necessidade de montar ou sair de uma posição independente do preço sendo negociado.

Se o participante tiver um volume alto para ser executado, a mesa de operação pode fracionar a execução ou também podem consumir toda a liquidez disponível naquele momento, fazendo com que o preço oscile muito rápido e o spread aumente.

Considerando essa possibilidade, o day trade pode ser uma “ferramenta” para alavancar de forma rápido o capital, mas também pode corroer rapidamente o capital devido às incertezas e novos fatos relevantes que podem alterar repentinamente o sentimento do mercado.

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